Por Marcela Ayres
BRASÍLIA, 6 de janeiro (Reuters) – O Brasil prevê um superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026, após o resultado do ano passado ter superado as projeções do governo, informou nesta terça-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A maior economia da América Latina registrou um superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 74,2 bilhões de 2024, devido ao crescimento mais rápido das importações em relação às exportações, o que demonstra a resiliência econômica apesar dos altos custos de empréstimos para conter a inflação.
O valor superou a previsão mais recente do ministério, de um superávit comercial de US$ 61 bilhões, e sucedeu um superávit de US$ 9,6 bilhões em dezembro.
“We are optimistic that even in a scenario of greater geopolitical instability, foreign trade will grow,” Vice President Geraldo Alckmin told a press conference.
BRAZIL HOPEFUL OF TRADE DEALS
Alckmin, who also heads the ministry, said the government remains hopeful of concluding a trade deal between Mercosur and the European Union and expects the South American bloc to seal a free trade agreement with the United Arab Emirates.
He added Brazil aims to expand preferential tariffs with India, Mexico and Canada.
Last year, imports jumped 6.7%, while exports rose 3.5%, even after the imposition of steeper U.S. tariffs on several goods, later partly reversed.
“Estamos otimistas de que, mesmo em um cenário de maior instabilidade geopolítica, o comércio exterior crescerá”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin em uma coletiva de imprensa.
BRASIL OTIMISTA EM ACORDOS COMERCIAIS
Alckmin, que também chefia o ministério, afirmou que o governo continua otimista em relação à conclusão de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e espera que o bloco sul-americano feche um acordo de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos.
Ele acrescentou que o Brasil pretende ampliar as tarifas preferenciais com a Índia, o México e o Canadá.
No ano passado, as importações aumentaram 6,7%, enquanto as exportações cresceram 3,5%, mesmo após a imposição de tarifas mais altas dos EUA sobre diversos produtos, posteriormente parcialmente revertidas.
Alckmin disse que o Brasil também espera avançar nas negociações com os EUA e abordar questões não tarifárias envolvendo terras raras, grandes empresas de tecnologia e data centers.
“O fator limitante para a inteligência artificial no mundo será a energia, e o Brasil possui energia abundante e renovável”, afirmou.
Questionado sobre o potencial impacto do aumento da produção de petróleo venezuelana após a captura do líder da Venezuela pelos EUA, Alckmin reconheceu que o petróleo é a principal exportação do Brasil, mas observou que qualquer efeito no mercado não seria imediato.
“A Venezuela tem grandes reservas de petróleo, mas as coisas não acontecem da noite para o dia; é preciso investimento”, disse ele.
EM NÚMEROS
Em 2025, os ganhos nas exportações brasileiras foram impulsionados por maiores embarques, em valor, de soja, carne bovina, café e milho, compensando as quedas anuais no petróleo bruto e no minério de ferro em meio à queda dos preços das commodities.
A China permaneceu o principal parceiro comercial do Brasil, com exportações em alta de 6%, atingindo US$ 100 bilhões, quase 30% do total das vendas externas. Os embarques brasileiros para os Estados Unidos, o segundo maior destino, caíram 6,6%, para US$ 37,7 bilhões.


















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